Em 19 de agosto começou o Projeto Vale Sonhar no 1º ano "A" e nós sonhamos. Naquela uma hora esqueçemos que era uma aula e pensamos nos nossos futuros incertos.
Começou com a professora Silvaneide perguntando:
_ Algum de vocês engravidou ou engravidou alguém nos últimos 9 meses?
Risos geral. Todos dizeram que não. Mas, alguém disse:
_ Nove meses? Deixa eu ver... E contava no dedo...
_ Não...é não engravidei ninguém - risos geral novamente- Adiante tínhamos que escrever o que queremos ser no futuro. Muitos pararam para pensar (geralmente temos medo de pensar no futuro porque é uma coisa que não temos controle e nem ideia do que vai acontecer) outros foram sinceros (vamos dizer assim) e dizeram que não sabia o que queria ser.
Puxamos um papelzinho que era uma ilustração de um teste de gravidez.Uns davam positivos outros negativos. Quem pegasse o positivo teria que encher uma bexiga e colocar dentro da blusa. Foi motivo de riso geral...
Fechamos os olhos.Tá bom...eu não fechei, mas a maioria fechou enquanto a professora fazia uma viagem no futuro ocm o poder das palavras.
Acabada nossa viagem no futuro, alguns falaram sobre a experiência vivida. A primeira foi Mizia que disse que no começo viu muitas festas com os amigos depois ao longo dos anos foi trocando as roupas de festas por sociais de trabalho e mais adiante casada e grávida.
Outro depoimento foi o grávido Diogo. Ele era mais preocupado em ter o seu próprio negócio pra poder ser feliz com sua família.
Outra sonhadora foi a Jéssica. Essa queria ter também seu próprio negócio, ser independente. Agora não fiquem chocados, mas ela viu no seu futuro seis filhos. É isso mesmo!!! seis filhos!!! Uma casa bem grande, não sei quantas empregadas. Mas, o mais interessante foi o que aconteceu depois que ela acabou de falar, alguém da parte do fundo da sala ( a parte de trás já sabe como é,né...) falou com ironia:
_Você sonha alto né?
E Jéssica falou:
_ Claro meu bem!!! sim, é verdade!!!! Temos que sonhar alto pra sermos alto na vida.
Outros mais falaram de seu sonhos e assim foi acabando a primeira parte do projeto na turma. Fomos na brincadeira falando de coisas serias,coisas que talvez, não agora, mas vai chegar um dia como gravidez, casamento, emprego...o futuro chega em forma de presente e o presente se transforma em passado. Esperamos que nossos sonhos sejam lindos.
Alex Bezerra
Aluno do 1º ano "A" da Escola Estadual Rosalvo Ribeiro
Desde 2008 venho desenvolvendo um projeto chamado "Vale Sonhar" - projeto desenvolvido pelo Instituto Kaplan e que foi inserido nas escolas estaduais. Este projeto, desde então, vem me despertando o gosto de trabalhar questões na área, já que muitas de nossos adolescentes deixam de sonhar com melhores expectativas de vida para enfrentar, precocemente, uma gravidez indesejada.
Sejam Bem-Vindos!!!!
Sejam bem-vindos ao meu blog!!! Ele deverá ser um espaço de discussões e de crescimento em relação a um tema tão discutido nas rodas de conversas dos jovens . Mas, por que será que estas questões de sexualidade ainda são tabus em grande parte das famílias brasileiras?
A questão acima é provocadora. Espero que todos vocês contribuam para conversas e discussões sobre o tema participando deste projeto juntamente comigo.
A questão acima é provocadora. Espero que todos vocês contribuam para conversas e discussões sobre o tema participando deste projeto juntamente comigo.
Quem sou eu
- Silvaneide Mendonça dos Santos
- Sou Silvaneide Mendonça dos Santos.Graduada em Serviço Social e Letras pela Universidade Federal de Alagoas e Pós graduada em Novas Tecnologias em Educação pela PUC-RIO. Professora há 5 anos na Escola Estadual Rosalvo Ribeiro. Leciono as disciplinas: Língua Portuguesa, Inglês e Literatura com turmas do ensino médio.Atualmente,sou coordenadora pedagógica desta escola estadual. A sede de aprender é sempre constante em minha vida. Este blog é mais um aprendizado e que gostaria de compartilhar com todos vocês.
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010
ADOLESCENTES COM HORMÔNIOS À FLOR DA PELE.
Mudanças físicas e psíquicas perpassam a construção da sexualidade na adolescência. Compreensão e diálogo são fundamentais durante esse processo
Ana Rita Martins (ana.martins@abril.com.br)
Estereótipos e expectativas na questão de gêneros
KARINA* Compro ou não?
Fui na farmácia pq queria comprar camisinha e demorei 10 minutos pra ter coragem de pegar. Sinto vergonha por ser menina, as pessoas me olharam mó eskisito. Parecia que eu era uma galinha. É mais fácil prum menino. Fico sem saber como agir.
QUESTÃO DE GÊNERO Os estereótipos sobre o que se espera de homens e mulheres confundem os jovens
Ilustrações: Daniella Domingues
Além do desafio de encarar as mudanças corporais e a avalanche de desejos e novas experiências, construir-se e posicionar-se sexualmente como homem e mulher é um desafio e tanto na adolescência. Principalmente porque a sexualidade não é constituída apenas de determinantes biológicos, mas por um complexo de marcas culturais, sociais e econômicas. O adolescente aprende com o meio o que é esperado dele na relação com o outro.
Como meninos e meninas estão formando a própria identidade, é essencial eles confrontarem as ideias que têm sobre o comportamento de homem e de mulher (o que inclui, em muitos casos, contestar até o modelo dos pais, geralmente considerado perfeito durante a infância). Freud escreveu que é essa nova significação de papéis, com a adoção de outros modelos de identificação fora da família, que consolida a sexualidade de cada um. Na vida real, isso pode provocar grande ansiedade, pois novas referências podem se chocar com os antigos e criar contradições difíceis. É a luta entre o que o adolescente quer ser (como homem e mulher), a autoridade que ele efetivamente dispõe para se tornar isso (já que ainda não é totalmente independente) e o que se espera que ele seja (na família ou na comunidade).
Daí a importância de a escola ensinar a questionar os estereótipos atribuídos ao comportamento sexual masculino e feminino. Por isso, de nada adianta apenas defender que é essencial usar camisinha - mas deixar que os alunos falem mal das meninas que andam com preservativos. Da mesma forma, não vale só mencionar a ejaculação precoce - e se esquecer de abordar a cobrança que pesa sobre os homens, que precisam "provar" sua virilidade. "Despejar informações sobre sexo seguro é pouco para conscientizar os jovens e garantir que terão uma vida sexual saudável. Pesquisas mostram que eles sabem que têm de usar camisinha, mas não a usam. Daí a necessidade de conversar, de fazê-los pensar", diz Mônica Maia, especialista em Educação Sexual.
Enfim, falar sobre sexualidade exige exercitar a tolerância, o acolhimento ao outro e o olhar para si mesmo. Como disse o educador Paulo Freire (1921-1997): "A sexualidade, enquanto possibilidade e caminho de alongamento de nós mesmos, de produção de vida e existência, de gozo e boniteza, exige busca de saber de nosso corpo. Não podemos viver autenticamente, no mundo e com o mundo, se nos fechamos medrosos e hipócritas aos mistérios de nosso corpo ou se os tratamos cínica e irresponsavelmente".
* Os destaques desta reportagem trazem depoimentos por um programa de troca de mensagens instantâneas pela internet de alunos do 9º ano da EMEF Victor Civita, em São Paulo. Os nomes foram trocados para preservar a identidade dos entrevistados.
FONTE: www.novaescola.com.br
Ana Rita Martins (ana.martins@abril.com.br)
Estereótipos e expectativas na questão de gêneros
KARINA* Compro ou não?
Fui na farmácia pq queria comprar camisinha e demorei 10 minutos pra ter coragem de pegar. Sinto vergonha por ser menina, as pessoas me olharam mó eskisito. Parecia que eu era uma galinha. É mais fácil prum menino. Fico sem saber como agir.
QUESTÃO DE GÊNERO Os estereótipos sobre o que se espera de homens e mulheres confundem os jovens
Ilustrações: Daniella Domingues
Além do desafio de encarar as mudanças corporais e a avalanche de desejos e novas experiências, construir-se e posicionar-se sexualmente como homem e mulher é um desafio e tanto na adolescência. Principalmente porque a sexualidade não é constituída apenas de determinantes biológicos, mas por um complexo de marcas culturais, sociais e econômicas. O adolescente aprende com o meio o que é esperado dele na relação com o outro.
Como meninos e meninas estão formando a própria identidade, é essencial eles confrontarem as ideias que têm sobre o comportamento de homem e de mulher (o que inclui, em muitos casos, contestar até o modelo dos pais, geralmente considerado perfeito durante a infância). Freud escreveu que é essa nova significação de papéis, com a adoção de outros modelos de identificação fora da família, que consolida a sexualidade de cada um. Na vida real, isso pode provocar grande ansiedade, pois novas referências podem se chocar com os antigos e criar contradições difíceis. É a luta entre o que o adolescente quer ser (como homem e mulher), a autoridade que ele efetivamente dispõe para se tornar isso (já que ainda não é totalmente independente) e o que se espera que ele seja (na família ou na comunidade).
Daí a importância de a escola ensinar a questionar os estereótipos atribuídos ao comportamento sexual masculino e feminino. Por isso, de nada adianta apenas defender que é essencial usar camisinha - mas deixar que os alunos falem mal das meninas que andam com preservativos. Da mesma forma, não vale só mencionar a ejaculação precoce - e se esquecer de abordar a cobrança que pesa sobre os homens, que precisam "provar" sua virilidade. "Despejar informações sobre sexo seguro é pouco para conscientizar os jovens e garantir que terão uma vida sexual saudável. Pesquisas mostram que eles sabem que têm de usar camisinha, mas não a usam. Daí a necessidade de conversar, de fazê-los pensar", diz Mônica Maia, especialista em Educação Sexual.
Enfim, falar sobre sexualidade exige exercitar a tolerância, o acolhimento ao outro e o olhar para si mesmo. Como disse o educador Paulo Freire (1921-1997): "A sexualidade, enquanto possibilidade e caminho de alongamento de nós mesmos, de produção de vida e existência, de gozo e boniteza, exige busca de saber de nosso corpo. Não podemos viver autenticamente, no mundo e com o mundo, se nos fechamos medrosos e hipócritas aos mistérios de nosso corpo ou se os tratamos cínica e irresponsavelmente".
* Os destaques desta reportagem trazem depoimentos por um programa de troca de mensagens instantâneas pela internet de alunos do 9º ano da EMEF Victor Civita, em São Paulo. Os nomes foram trocados para preservar a identidade dos entrevistados.
FONTE: www.novaescola.com.br
OFICINAS DE SEXUALIDADE
Mais uma etapa iniciada. A Escola Estadual Rosalvo Ribeiro iniciou esta semana as oficinas do Projeto Vale Sonhar. A Escola participa do projeto desde 2008 e tem contado com a participação dos alunos do ensino médio, professores e coordenação da escola.
Em 2008, participaram 419 alunos ,pois, as oficinas foram aplicadas para as três séries do ensino médio. Em 2009, as oficinas foram aplicadas apenas para os alunos dos primeiros anos já que as outras turmas já haviam participado no ano anterior. E este ano,o projeto continua com toda força.
Durante esta semana, aplicamos a primeira oficina para as duas turmas do diurno que tem como objetivo “ O despertar para um sonho de vida profissional”.
Antes de começar a dinâmica da bexiga, os alunos responderam a seguinte pergunta: Qual é o meu sonho de vida profissional? Na maioria das respostas os alunos enfatizaram a importância de ter uma formação profissional e realizar-se na profissão escolhida.
Alguns pensam da seguinte forma:
“Entrar no Exército Brasileiro e ter uma grande carreira lá dentro.” (1º “A”)
“Entrar na faculdade (UFAL) no curso de música e viver a minha vida ensinando, aprendendo, tocando, etc... ou seja, viver de música em todos os sentidos.” (1º “A”)
“Tenho tantos sonhos na vida que, ao longo de minha curta vida, alguns já não estar aqui, outros estão ativo esperando o momento para ser realizado. Talvez todos ainda estejam esperando para eu acordar para a vida.” (1º “A”)
“Para a minha vida profissional eu quero ter muito sucesso como médica (obstetra). Por isso, eu me esforço com tudo que eu faço. Estudo e dou o melhor de mim.” (1º “A”)
“ Quero me formar em comunicação e me tornar um ótimo jornalista.” (1º “B”)
“O meu sonho na vida profissional é ser jogador de futebol, apesar das dificuldades que vou ter mas é o meu principal sonho.” (1º “B”)
“Meu sonho é crescer dia após dia profissionalmente. Quero ser psicóloga e quero trabalhar com teatro e diretora de imagens.” (1º “B”)
“Meu sonho profissional é ter um bom emprego para no futuro ter algo na vida. Meu sonho é ser perita criminal.” (1º “B”)
“O meu sonho de vida profissional é ser um engenheiro elétrico. Eu já comecei a realizar meu sonho. Já fiz um curso profissionalizante na área da eletricidade e quero quando terminar o ensino médio fazer a faculdade de engenharia elétrica.” 1º “B”
Após ter respondido a esta pergunta, começamos a dinâmica da viagem ao futuro onde alguns alunos viajaram grávidas e grávidos e outros não.
Nesta viagem (pela imaginação) os alunos podem realizar os seus desejos de acordo com o que eles pensam em fazer ao longo dos anos. Alguns, sentiram dificuldades nesta viagem, pois já a fizeram com uma gestação precoce e outros não.
Os alunos puderam relatar suas experiências (da viagem) para todos da sala e expor todas as suas expectativas de vida para os próximos anos.
Após esta viagem pelo o imaginário de cada um, os alunos se dividiram em grupo e responderam a seguinte pergunta: Quais as conseqüências de uma gravidez precoce para os meninos e para as meninas.
Confiram as respostas:
- A pressão da família;
- Dificuldades financeiras em sustentar o filho;
- Abandona a escola;
- Não se diverti, não é mais uma pessoa livre;
- A estrutura psicológica que não tem para ouvir críticas e para se dedicar ao seu filho;
- Os meninos têm que parar de estudar para sustentar a família que ele está construindo;
- O pai da criança, muitas vezes, não quer assumir o filho;
- Falta de experiência para ser mãe e esposa;
- Dificuldades para arrumar um emprego por ser jovem demais;
- Ter que trabalhar e estudar ao mesmo tempo;
- A vida ativa do jovem acaba por conta da responsabilidade;
- Dificuldades em realizar seus sonhos profissionais.
Foi mais uma experiência gratificante !!!! Vamos para a próxima a 2ª oficina em breve.
Um grande abraço a todos,
Silvaneide Mendonça dos Santos
Em 2008, participaram 419 alunos ,pois, as oficinas foram aplicadas para as três séries do ensino médio. Em 2009, as oficinas foram aplicadas apenas para os alunos dos primeiros anos já que as outras turmas já haviam participado no ano anterior. E este ano,o projeto continua com toda força.
Durante esta semana, aplicamos a primeira oficina para as duas turmas do diurno que tem como objetivo “ O despertar para um sonho de vida profissional”.
Antes de começar a dinâmica da bexiga, os alunos responderam a seguinte pergunta: Qual é o meu sonho de vida profissional? Na maioria das respostas os alunos enfatizaram a importância de ter uma formação profissional e realizar-se na profissão escolhida.
Alguns pensam da seguinte forma:
“Entrar no Exército Brasileiro e ter uma grande carreira lá dentro.” (1º “A”)
“Entrar na faculdade (UFAL) no curso de música e viver a minha vida ensinando, aprendendo, tocando, etc... ou seja, viver de música em todos os sentidos.” (1º “A”)
“Tenho tantos sonhos na vida que, ao longo de minha curta vida, alguns já não estar aqui, outros estão ativo esperando o momento para ser realizado. Talvez todos ainda estejam esperando para eu acordar para a vida.” (1º “A”)
“Para a minha vida profissional eu quero ter muito sucesso como médica (obstetra). Por isso, eu me esforço com tudo que eu faço. Estudo e dou o melhor de mim.” (1º “A”)
“ Quero me formar em comunicação e me tornar um ótimo jornalista.” (1º “B”)
“O meu sonho na vida profissional é ser jogador de futebol, apesar das dificuldades que vou ter mas é o meu principal sonho.” (1º “B”)
“Meu sonho é crescer dia após dia profissionalmente. Quero ser psicóloga e quero trabalhar com teatro e diretora de imagens.” (1º “B”)
“Meu sonho profissional é ter um bom emprego para no futuro ter algo na vida. Meu sonho é ser perita criminal.” (1º “B”)
“O meu sonho de vida profissional é ser um engenheiro elétrico. Eu já comecei a realizar meu sonho. Já fiz um curso profissionalizante na área da eletricidade e quero quando terminar o ensino médio fazer a faculdade de engenharia elétrica.” 1º “B”
Após ter respondido a esta pergunta, começamos a dinâmica da viagem ao futuro onde alguns alunos viajaram grávidas e grávidos e outros não.
Nesta viagem (pela imaginação) os alunos podem realizar os seus desejos de acordo com o que eles pensam em fazer ao longo dos anos. Alguns, sentiram dificuldades nesta viagem, pois já a fizeram com uma gestação precoce e outros não.
Os alunos puderam relatar suas experiências (da viagem) para todos da sala e expor todas as suas expectativas de vida para os próximos anos.
Após esta viagem pelo o imaginário de cada um, os alunos se dividiram em grupo e responderam a seguinte pergunta: Quais as conseqüências de uma gravidez precoce para os meninos e para as meninas.
Confiram as respostas:
- A pressão da família;
- Dificuldades financeiras em sustentar o filho;
- Abandona a escola;
- Não se diverti, não é mais uma pessoa livre;
- A estrutura psicológica que não tem para ouvir críticas e para se dedicar ao seu filho;
- Os meninos têm que parar de estudar para sustentar a família que ele está construindo;
- O pai da criança, muitas vezes, não quer assumir o filho;
- Falta de experiência para ser mãe e esposa;
- Dificuldades para arrumar um emprego por ser jovem demais;
- Ter que trabalhar e estudar ao mesmo tempo;
- A vida ativa do jovem acaba por conta da responsabilidade;
- Dificuldades em realizar seus sonhos profissionais.
Foi mais uma experiência gratificante !!!! Vamos para a próxima a 2ª oficina em breve.
Um grande abraço a todos,
Silvaneide Mendonça dos Santos
sábado, 14 de agosto de 2010
QUESTÃO ABERTA: Apenas vantagens está conectado à comunicação eletrônica?
Sabendo que muitos jovens, atualmente, mantém relacionamentos pela internet e que coloca em exposição a vida destes,
Uma recente pesquisa sobre o perfil do usuário brasileiro do Twitter mostrou que a maioria dos usuários, 61%, é composta por homens na faixa de 21 a 30 anos, solteiros, localizados nos estados São Paulo e Rio de Janeiro. Na maior parte, são pessoas com ensino superior completo e renda mensal entre 2 mil e 5 mil reais. É, portanto, um “Clube do Bolinha”, de classe social elevada. É difícil imaginar, entretanto, que os usuários do brasileiro campeão de seguidores no Twitter se enquadre nesse perfil: é Mano Menezes, técnico do Corinthians, um clube de massa.
Proponho uma reflexão sobre o comportamento em relação à comunicação eletrônica. É preciso estar sempre conectado, via computador ou celular? E participar de redes sociais, quais as vantagens e desvantagens – aqui vale lembrar o problema dos perfis falsos e da falta de privacidade?
Uma recente pesquisa sobre o perfil do usuário brasileiro do Twitter mostrou que a maioria dos usuários, 61%, é composta por homens na faixa de 21 a 30 anos, solteiros, localizados nos estados São Paulo e Rio de Janeiro. Na maior parte, são pessoas com ensino superior completo e renda mensal entre 2 mil e 5 mil reais. É, portanto, um “Clube do Bolinha”, de classe social elevada. É difícil imaginar, entretanto, que os usuários do brasileiro campeão de seguidores no Twitter se enquadre nesse perfil: é Mano Menezes, técnico do Corinthians, um clube de massa.
Proponho uma reflexão sobre o comportamento em relação à comunicação eletrônica. É preciso estar sempre conectado, via computador ou celular? E participar de redes sociais, quais as vantagens e desvantagens – aqui vale lembrar o problema dos perfis falsos e da falta de privacidade?
Os usos sociais da internet : conexão insegura
PROPOSTA DE TRABALHO NA ESCOLA
Conteúdos
Tecnologia e sociedade, usos sociais de aparatos tecnológicos, cultura de massa e internet
Habilidades
Construir uma compreensão crítica e historicamente contextualizada das novas tecnologias de comunicação como a Internet e entender as determinações sociais e culturais que explicam os sentidos dados a tais ferramentas
Tempo estimado
Duas aulas
Lya Luft faz, em sua coluna da VEJA, sérias críticas ao que a ela considera os maus usos das novas formas de comunicação possibilitadas pela internet. Ainda assim, ela se mostra uma usuária frequente, como muitos de nós. Navegando online fazemos pesquisas, buscamos informação e travamos contatos com pessoas do mundo todo. Assim como para a escritora, usar o computador diariamente é parte da rotina de um grande número de brasileiros, comprovadamente um dos países que mais se conectam mundialmente. Mas as mudanças relacionadas ao novo meio de comunicação causam também profunda apreensão, ao abrirem fronteiras novas, que são exploradas por criminosos e todo tipo de pessoas sem escrúpulos. Nas aulas aqui sugeridas, discuta com a moçada as formas pelas quais a sociedade incorpora e lida com as possibilidades criadas por novidades tecnológicas.
Atividades
1ª aula - Converse com os jovens sobre a internet e tente descobrir como eles usam essa tecnologia. Quem tem blog na sala? Todos possuem perfil no Orkut? Se não possuem, quais os motivos? Alguns preferem manter sua privacidade, como relata Lya Luft? Ou, pelo contrário, não se pode mais escapar de marcar encontros e manter contato com os amigos pelo MSN? Quantos já usaram câmeras para conversar com parentes e amigos distantes?
Após ouvir os alunos, discuta as semelhanças e diferenças entre as diversas ferramentas que eles relatam usar. Que sites ou programas servem mais para paquera ou para assuntos profissionais? Quem tem acesso à internet, em casa ou numa lan house, usa para fazer pesquisas para a escola? Os meninos usam a rede de forma diferente das meninas? Alguém já foi vítima de golpes ou alvo de alguém espalhando mentiras online?
Mostre para a galera que as tecnologias são utilizadas de muitas formas diferentes e que essa diversidade é parte fundamental da forma como o ser humano interage com seu meio. Grupos distintos atribuem significados diversos a ferramentas novas e antigas e o surgimento de uma tecnologia possibilita a observação desse processo de forma única. O crescimento e a mudança dos usos e sentidos da internet, mesmo no curto espaço de tempo em que ela existe, demonstra a multiplicidade de formas possíveis de interagir com uma tecnologia e a maneira criativa pela qual as pessoas recriam sua utilidade, para fins nem sempre previstos pelos criadores. Esse tipo de análise, focada nos aspectos sociais das tecnologias, é um campo em franco crescimento no Brasil e no mundo, que ajuda a entender as formas pelas quais a cultura e as sociedades interagem com aparatos tecnológicos. Longe de serem apenas ferramentas inertes ou que impõem um determinado uso para as pessoas, as tecnologias são criativamente reinterpretadas pela sociedade.
Para seus alunos O Mapa da Conectividade
Fonte: ComScore
Com a ajuda de um mapa-múndi, mostre que os países asiáticos da costa do Pacífico, a Europa e os Estados Unidos estão muito a frente do resto do mundo em conexão com a internet. Segundo levantamento de 2008 da ComScore, instituição especializada em pesquisas sobre o uso da rede, existem 308,8 milhões de internautas asiáticos, 232,8 milhões de europeus e 183,8 milhões de norte-americanos. O Brasil possui 59 milhões, a maioria nos grandes centros urbanos do sudeste e do sul do país. São quase 800 milhões de pessoas conectadas, criando e recriando usos para a rede.
2ª aula - Nessa segunda parte, aprofunde os temas levantados na primeira aula, oferecendo um pouco mais de contexto histórico para pensar as tecnologias de informação. Comente com a classe, por exemplo, que algumas ferramentas anteriores à internet passaram por processos de adaptação e mudança semelhantes, como o telefone.
Thomas Alva Edison elaborou os princípios de gravação e reprodução do som em 1877. Tanto ele quanto Alexander Graham Bell dividem a fama de terem inventado o telefone, uma outra tecnologia atualmente muito difundida. Quando surgiram, essa máquina de reprodução e gravação de sons não conseguiu empolgar seus contemporâneos. Era muito difícil, há mais de 100 anos, prever a revolução causada pela telefonia, tanto nos negócios quanto na nossa vida pessoal. Quem consegue imaginar um mundo no qual só se consegue ouvir a voz dos amigos e parentes pessoalmente? Leve os alunos a pensar que nossos celulares permitem esse contato a qualquer tempo e lugar. E o que dizer dos tocadores de MP3? A ideia de escutar em qualquer lugar música baixada da internet nunca esteve presente nos planos daqueles que inventaram tais tecnologias, mas usos como esses que definem, hoje, as nossas relações com elas com imenso prejuízo para a indústria fonográfica, por exemplo.
Uma tecnologia desenhada para gravar e reproduzir som desenvolveu-se em grande escala apenas quando começou a ser utilizada para fins aparentemente banais: bater papo e escutar músicas. Da mesma forma, a internet só tornou-se a força desestabilizadora que é hoje quando começou a ser adaptada para usos do cotidiano. Desenhada para fins militares pelos EUA, ela parte de um princípio de transmissão descentralizada de informação. A rede foi concebida para permitir a comunicação no caso de um holocausto nuclear: mesmo com uma parte do sistema destruída ele, como um todo, permanece funcionando, pois a informação consegue ser transmitida por rotas alternativas. Detalhes técnicos à parte, a internet foi rapidamente adotada por centros de pesquisa e universidades, para, por fim (no final dos anos 1980), ser liberada para o mercado consumidor.
Muitos de nós vivemos uma época, muito recente, na qual não havia internet, email, Youtube, Orkut ou MSN. Colocar fotos da nossa vida particular para qualquer um do planeta ver, escrever diários online ou ter acesso instantâneo via mensagens era inconcebível. Mesmo assim, uma grande parte ganhou tanta familiaridade com essas ferramentas que já não consegue se imaginar sem acesso a elas. Ainda hoje, novas formas de uso de tecnologias ligadas à internet continuam a ser desenvolvidas, com possibilidades e usos imprevisíveis. Alguns filósofos, como Pierre Lévy, pensam que a conexão do planeta via web levará a uma forma original de inteligência mundial, aumentando as nossas capacidades cognitivas por meio de redes virtuais. Se isso vai ocorrer ou não, o fato é que já vivemos num mundo transformado, e a exploração das novas fronteiras tecnológicas permanece um projeto aberto.
Conclua encomendando um texto dissertativo onde os estudantes avaliem o impacto da internet em suas vidas, comentem o uso que fazem dela e projetem perspectivas pessoais como, por exemplo, a importância da rede na profissão que pretendem seguir.
Fonte: www.novaescola.com.br
Conteúdos
Tecnologia e sociedade, usos sociais de aparatos tecnológicos, cultura de massa e internet
Habilidades
Construir uma compreensão crítica e historicamente contextualizada das novas tecnologias de comunicação como a Internet e entender as determinações sociais e culturais que explicam os sentidos dados a tais ferramentas
Tempo estimado
Duas aulas
Lya Luft faz, em sua coluna da VEJA, sérias críticas ao que a ela considera os maus usos das novas formas de comunicação possibilitadas pela internet. Ainda assim, ela se mostra uma usuária frequente, como muitos de nós. Navegando online fazemos pesquisas, buscamos informação e travamos contatos com pessoas do mundo todo. Assim como para a escritora, usar o computador diariamente é parte da rotina de um grande número de brasileiros, comprovadamente um dos países que mais se conectam mundialmente. Mas as mudanças relacionadas ao novo meio de comunicação causam também profunda apreensão, ao abrirem fronteiras novas, que são exploradas por criminosos e todo tipo de pessoas sem escrúpulos. Nas aulas aqui sugeridas, discuta com a moçada as formas pelas quais a sociedade incorpora e lida com as possibilidades criadas por novidades tecnológicas.
Atividades
1ª aula - Converse com os jovens sobre a internet e tente descobrir como eles usam essa tecnologia. Quem tem blog na sala? Todos possuem perfil no Orkut? Se não possuem, quais os motivos? Alguns preferem manter sua privacidade, como relata Lya Luft? Ou, pelo contrário, não se pode mais escapar de marcar encontros e manter contato com os amigos pelo MSN? Quantos já usaram câmeras para conversar com parentes e amigos distantes?
Após ouvir os alunos, discuta as semelhanças e diferenças entre as diversas ferramentas que eles relatam usar. Que sites ou programas servem mais para paquera ou para assuntos profissionais? Quem tem acesso à internet, em casa ou numa lan house, usa para fazer pesquisas para a escola? Os meninos usam a rede de forma diferente das meninas? Alguém já foi vítima de golpes ou alvo de alguém espalhando mentiras online?
Mostre para a galera que as tecnologias são utilizadas de muitas formas diferentes e que essa diversidade é parte fundamental da forma como o ser humano interage com seu meio. Grupos distintos atribuem significados diversos a ferramentas novas e antigas e o surgimento de uma tecnologia possibilita a observação desse processo de forma única. O crescimento e a mudança dos usos e sentidos da internet, mesmo no curto espaço de tempo em que ela existe, demonstra a multiplicidade de formas possíveis de interagir com uma tecnologia e a maneira criativa pela qual as pessoas recriam sua utilidade, para fins nem sempre previstos pelos criadores. Esse tipo de análise, focada nos aspectos sociais das tecnologias, é um campo em franco crescimento no Brasil e no mundo, que ajuda a entender as formas pelas quais a cultura e as sociedades interagem com aparatos tecnológicos. Longe de serem apenas ferramentas inertes ou que impõem um determinado uso para as pessoas, as tecnologias são criativamente reinterpretadas pela sociedade.
Para seus alunos O Mapa da Conectividade
Fonte: ComScore
Com a ajuda de um mapa-múndi, mostre que os países asiáticos da costa do Pacífico, a Europa e os Estados Unidos estão muito a frente do resto do mundo em conexão com a internet. Segundo levantamento de 2008 da ComScore, instituição especializada em pesquisas sobre o uso da rede, existem 308,8 milhões de internautas asiáticos, 232,8 milhões de europeus e 183,8 milhões de norte-americanos. O Brasil possui 59 milhões, a maioria nos grandes centros urbanos do sudeste e do sul do país. São quase 800 milhões de pessoas conectadas, criando e recriando usos para a rede.
2ª aula - Nessa segunda parte, aprofunde os temas levantados na primeira aula, oferecendo um pouco mais de contexto histórico para pensar as tecnologias de informação. Comente com a classe, por exemplo, que algumas ferramentas anteriores à internet passaram por processos de adaptação e mudança semelhantes, como o telefone.
Thomas Alva Edison elaborou os princípios de gravação e reprodução do som em 1877. Tanto ele quanto Alexander Graham Bell dividem a fama de terem inventado o telefone, uma outra tecnologia atualmente muito difundida. Quando surgiram, essa máquina de reprodução e gravação de sons não conseguiu empolgar seus contemporâneos. Era muito difícil, há mais de 100 anos, prever a revolução causada pela telefonia, tanto nos negócios quanto na nossa vida pessoal. Quem consegue imaginar um mundo no qual só se consegue ouvir a voz dos amigos e parentes pessoalmente? Leve os alunos a pensar que nossos celulares permitem esse contato a qualquer tempo e lugar. E o que dizer dos tocadores de MP3? A ideia de escutar em qualquer lugar música baixada da internet nunca esteve presente nos planos daqueles que inventaram tais tecnologias, mas usos como esses que definem, hoje, as nossas relações com elas com imenso prejuízo para a indústria fonográfica, por exemplo.
Uma tecnologia desenhada para gravar e reproduzir som desenvolveu-se em grande escala apenas quando começou a ser utilizada para fins aparentemente banais: bater papo e escutar músicas. Da mesma forma, a internet só tornou-se a força desestabilizadora que é hoje quando começou a ser adaptada para usos do cotidiano. Desenhada para fins militares pelos EUA, ela parte de um princípio de transmissão descentralizada de informação. A rede foi concebida para permitir a comunicação no caso de um holocausto nuclear: mesmo com uma parte do sistema destruída ele, como um todo, permanece funcionando, pois a informação consegue ser transmitida por rotas alternativas. Detalhes técnicos à parte, a internet foi rapidamente adotada por centros de pesquisa e universidades, para, por fim (no final dos anos 1980), ser liberada para o mercado consumidor.
Muitos de nós vivemos uma época, muito recente, na qual não havia internet, email, Youtube, Orkut ou MSN. Colocar fotos da nossa vida particular para qualquer um do planeta ver, escrever diários online ou ter acesso instantâneo via mensagens era inconcebível. Mesmo assim, uma grande parte ganhou tanta familiaridade com essas ferramentas que já não consegue se imaginar sem acesso a elas. Ainda hoje, novas formas de uso de tecnologias ligadas à internet continuam a ser desenvolvidas, com possibilidades e usos imprevisíveis. Alguns filósofos, como Pierre Lévy, pensam que a conexão do planeta via web levará a uma forma original de inteligência mundial, aumentando as nossas capacidades cognitivas por meio de redes virtuais. Se isso vai ocorrer ou não, o fato é que já vivemos num mundo transformado, e a exploração das novas fronteiras tecnológicas permanece um projeto aberto.
Conclua encomendando um texto dissertativo onde os estudantes avaliem o impacto da internet em suas vidas, comentem o uso que fazem dela e projetem perspectivas pessoais como, por exemplo, a importância da rede na profissão que pretendem seguir.
Fonte: www.novaescola.com.br
COMO TRABALHAR COMPORTAMENTOS UTILIZANDO AS MÍDIAS
Edição 189 | Janeiro/Fevereiro 2006
Liguem a TV: vamos estudar!
Novelas, seriados, desenhos animados, noticiários... Qualquer programa de televisão pode ser usado na sala de aula para introduzir ou aprofundar conteúdos e para discutir valores e comportamento
Paola Gentile (pagentile@abril.com.br)
A professora Simone e os alunos da 4ª série da escola Egon Schaden, em Francisco Morato (SP): no final do projeto sobre trabalho infantil, a garotada interpreta apresentadores de telejornal e de comerciais, repórteres e cinegrafistas e aprende como a televisão é feita. Foto: Ricardo Benichio
Ela usa ação, imagens e sons especialmente selecionados para prender a atenção da garotada. Ajuda na formação de memórias de longa duração. É capaz de desenvolver a imaginação dos jovens, e as histórias que ela conta são tema de conversas e debates acalorados entre eles. E tem mais: os alunos certamente permanecem de olhos grudados nela em tempo igual ou superior ao que ficam na escola. Dá para desprezar uma ferramenta pedagógica com essas características?
Estamos falando da televisão, esse meio de comunicação tão importante quanto controverso, que já despertou o amor e o ódio de muitos educadores, psicólogos e sociólogos. Alguns dizem que a TV aliena e emburrece. Outros a acusam de promover a violência e o consumismo. A programação que é veiculada nas dezenas de canais abertos ou por assinatura segue, sim, a lógica do entretenimento e do mercado: permanecem mais tempo em cartaz novelas, seriados, telejornais e outros gêneros que têm audiência, e, portanto, patrocinadores. Mas sua influência é inegável. Há dois anos, um estudo do Ateliê Aurora, programa de pós-graduação em educação da Universidade Federal de Santa Catarina, constatou que assistir televisão era a atividade mais marcante da rotina das crianças de todos os contextos sociais. Foram entrevistados alunos de Florianópolis de uma escola particular de elite e de escolas públicas localizadas em favela, no centro da cidade e em vila de pescadores. "A TV não é perfeita e o sistema educativo não vai mudá-la. Então, a escola deve usar esse recurso em benefício próprio", afirma Ismar de Oliveira, coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP).
Com a profusão de canais abertos e por assinatura, a televisão oferece programas para todas as faixas etárias. Noticiários, novelas, minisséries, seriados, talk shows, documentários, programas de auditório, desenhos animados, filmes, clipes... Eles podem ser usados para introduzir conteúdos, aprofundá-los ou ilustrá-los ou para debates sobre comportamento e ética. Selecione os que se encaixam em seus objetivos e fique de olho para perceber onde está o interesse da garotada.
Não é nada fácil para os adultos que cresceram ouvindo críticas a esse meio de comunicação tratá-lo bem. Segundo Maria Thereza Fraga Rocco, professora da Faculdade de Educação da USP, há uma tendência por parte de pais e professores em olhar a telinha como o demônio responsável pelo (mau) comportamento das crianças: "Se ela fosse tão influente na atitude das pessoas, bastaria termos uma TV perfeita para vivermos na sociedade dos sonhos". Existem os programas violentos, os que veiculam valores distantes do que os educadores querem passar aos alunos e os que tratam a realidade de maneira simplista ou equivocada. Mas inclusive esses podem render bons frutos: "Tudo o que passa na televisão é educativo. Basta o professor fazer a intervenção certa e propiciar momentos de debate e reflexão", garante José Manuel Moran, professor das Faculdades Sumaré, em São Paulo, e pesquisador na área de tecnologias aplicadas à educação.
Portanto, abandone o discurso que rotula a telinha como a raiz de todos os males e procure assisti-la com outros olhos. Foi o que fez o coordenador pedagógico do Colégio Pentágono, em São Paulo. Carlos Nascimento Júnior precisava encontrar um assunto de interesse dos alunos de 5ª e 6ª séries para ser tema do jornal do colégio no ano passado: "Sempre achei a programação da televisão ruim e fútil e me recusava a perder o pouco tempo livre na frente dela. Mas percebi como esse meio de comunicação é importante na vida das crianças e resolvi dar mais atenção a ele".
Carlos notou a influência dos desenhos animados na fala e nas atitudes dos garotos e não teve dúvidas. Os jovens de 5ª e 6ª séries levantaram os desenhos preferidos pelos colegas da 4ª série, assistiram aos vídeos, discutiram a maneira como os personagens se relacionavam muitas vezes com brigas e violência e conceitos de justiça e amizade. Cada um escreveu um artigo para a publicação baseado nesses debates. Em um dos episódios, um erro científico: duas naves explodem no espaço produzindo barulho e fogo. "Como pode haver som no espaço se ele não se propaga no vácuo? (...) O fogo precisa de oxigênio para queimar, e no espaço não tem oxigênio", questionou Isabela Tavares em seu texto.
O melhor ela faz por você: prender a atenção
No ano passado, pesquisa do Centro Brasileiro de Mídia para Crianças e Adolescentes (Midiativa), em São Paulo, constatou que a televisão começa a ter fortes concorrentes ao disputar a preciosa atenção de crianças e adolescentes. Internet e celular estão entrando com tudo como opção de lazer e divertimento, mas em camadas pequenas da população. Os jovens ainda gastam em média de quatro a cinco horas por dia na frente de um aparelho de televisão.
Elvira Souza Lima, pesquisadora na área de neurociências aplicada à mídia, de São Paulo, explica que a linguagem que a TV usa imagens em movimento, coloridas, trabalhadas com cortes e fusões e envolvidas em trilhas sonoras especialmente escolhidas mobiliza o sistema límbico, estrutura do cérebro responsável pelas emoções, o que leva a um estado de atenção concentrada. Alguns programas ainda desafiam a imaginação ao propor questões e não dar as respostas imediatamente. "A novela e as minisséries fazem isso muito bem, terminando os capítulos com suspense", exemplifica Elvira.
Olhar crítico vem com debates
Com tantos recursos usados para emocionar e prender a atenção, será que a TV não pode se tornar mesmo um instrumento de manipulação de mentes? Sim, pode. Por isso, levar a televisão para a sala de aula implica também ensinar os alunos a vê-la com olhar crítico. Para Gilka Girardello, coordenadora do Ateliê Aurora, o fundamental é fazê-los entender que a televisão não é uma "janela para o mundo" como gostam de caracterizar os mais entusiasmados: "Ela é um recorte muito bem produzido e montado da realidade e não a realidade".
Estimular os alunos a opinar sobre os programas e chamar a atenção deles para os cortes das cenas e o uso da trilha sonora ajuda a criança a perceber as diversas possibilidades do meio. José Manuel Moran afirma que, quando os alunos produzem programas, captando imagens e selecionando cenas, fica mais fácil perceber as intenções de quem faz televisão. Mas, para tanto, a escola precisaria ter equipamentos. Se isso não for viável, um caminho é comparar os programas com outros produtos culturais: uma novela com o livro que a originou; o telejornal com o jornal impresso; o desenho animado com gibis.
Ao adotar a televisão como recurso pedagógico, convém avisar os pais eles podem ter preconceitos e achar que a escola está enrolando ao colocar a turma na frente do aparelho "em vez de" dar aula. Durante a conversa, Gilka Girardello aconselha o professor a enfatizar que os programas selecionados têm ligação com o conteúdo estudado. Algumas dinâmicas podem ser usadas, como a discussão sobre os valores morais e éticos que uma telenovela está veiculando e a análise de telejornais.
Retirado de: www.novaescola.com.br
Liguem a TV: vamos estudar!
Novelas, seriados, desenhos animados, noticiários... Qualquer programa de televisão pode ser usado na sala de aula para introduzir ou aprofundar conteúdos e para discutir valores e comportamento
Paola Gentile (pagentile@abril.com.br)
A professora Simone e os alunos da 4ª série da escola Egon Schaden, em Francisco Morato (SP): no final do projeto sobre trabalho infantil, a garotada interpreta apresentadores de telejornal e de comerciais, repórteres e cinegrafistas e aprende como a televisão é feita. Foto: Ricardo Benichio
Ela usa ação, imagens e sons especialmente selecionados para prender a atenção da garotada. Ajuda na formação de memórias de longa duração. É capaz de desenvolver a imaginação dos jovens, e as histórias que ela conta são tema de conversas e debates acalorados entre eles. E tem mais: os alunos certamente permanecem de olhos grudados nela em tempo igual ou superior ao que ficam na escola. Dá para desprezar uma ferramenta pedagógica com essas características?
Estamos falando da televisão, esse meio de comunicação tão importante quanto controverso, que já despertou o amor e o ódio de muitos educadores, psicólogos e sociólogos. Alguns dizem que a TV aliena e emburrece. Outros a acusam de promover a violência e o consumismo. A programação que é veiculada nas dezenas de canais abertos ou por assinatura segue, sim, a lógica do entretenimento e do mercado: permanecem mais tempo em cartaz novelas, seriados, telejornais e outros gêneros que têm audiência, e, portanto, patrocinadores. Mas sua influência é inegável. Há dois anos, um estudo do Ateliê Aurora, programa de pós-graduação em educação da Universidade Federal de Santa Catarina, constatou que assistir televisão era a atividade mais marcante da rotina das crianças de todos os contextos sociais. Foram entrevistados alunos de Florianópolis de uma escola particular de elite e de escolas públicas localizadas em favela, no centro da cidade e em vila de pescadores. "A TV não é perfeita e o sistema educativo não vai mudá-la. Então, a escola deve usar esse recurso em benefício próprio", afirma Ismar de Oliveira, coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP).
Com a profusão de canais abertos e por assinatura, a televisão oferece programas para todas as faixas etárias. Noticiários, novelas, minisséries, seriados, talk shows, documentários, programas de auditório, desenhos animados, filmes, clipes... Eles podem ser usados para introduzir conteúdos, aprofundá-los ou ilustrá-los ou para debates sobre comportamento e ética. Selecione os que se encaixam em seus objetivos e fique de olho para perceber onde está o interesse da garotada.
Não é nada fácil para os adultos que cresceram ouvindo críticas a esse meio de comunicação tratá-lo bem. Segundo Maria Thereza Fraga Rocco, professora da Faculdade de Educação da USP, há uma tendência por parte de pais e professores em olhar a telinha como o demônio responsável pelo (mau) comportamento das crianças: "Se ela fosse tão influente na atitude das pessoas, bastaria termos uma TV perfeita para vivermos na sociedade dos sonhos". Existem os programas violentos, os que veiculam valores distantes do que os educadores querem passar aos alunos e os que tratam a realidade de maneira simplista ou equivocada. Mas inclusive esses podem render bons frutos: "Tudo o que passa na televisão é educativo. Basta o professor fazer a intervenção certa e propiciar momentos de debate e reflexão", garante José Manuel Moran, professor das Faculdades Sumaré, em São Paulo, e pesquisador na área de tecnologias aplicadas à educação.
Portanto, abandone o discurso que rotula a telinha como a raiz de todos os males e procure assisti-la com outros olhos. Foi o que fez o coordenador pedagógico do Colégio Pentágono, em São Paulo. Carlos Nascimento Júnior precisava encontrar um assunto de interesse dos alunos de 5ª e 6ª séries para ser tema do jornal do colégio no ano passado: "Sempre achei a programação da televisão ruim e fútil e me recusava a perder o pouco tempo livre na frente dela. Mas percebi como esse meio de comunicação é importante na vida das crianças e resolvi dar mais atenção a ele".
Carlos notou a influência dos desenhos animados na fala e nas atitudes dos garotos e não teve dúvidas. Os jovens de 5ª e 6ª séries levantaram os desenhos preferidos pelos colegas da 4ª série, assistiram aos vídeos, discutiram a maneira como os personagens se relacionavam muitas vezes com brigas e violência e conceitos de justiça e amizade. Cada um escreveu um artigo para a publicação baseado nesses debates. Em um dos episódios, um erro científico: duas naves explodem no espaço produzindo barulho e fogo. "Como pode haver som no espaço se ele não se propaga no vácuo? (...) O fogo precisa de oxigênio para queimar, e no espaço não tem oxigênio", questionou Isabela Tavares em seu texto.
O melhor ela faz por você: prender a atenção
No ano passado, pesquisa do Centro Brasileiro de Mídia para Crianças e Adolescentes (Midiativa), em São Paulo, constatou que a televisão começa a ter fortes concorrentes ao disputar a preciosa atenção de crianças e adolescentes. Internet e celular estão entrando com tudo como opção de lazer e divertimento, mas em camadas pequenas da população. Os jovens ainda gastam em média de quatro a cinco horas por dia na frente de um aparelho de televisão.
Elvira Souza Lima, pesquisadora na área de neurociências aplicada à mídia, de São Paulo, explica que a linguagem que a TV usa imagens em movimento, coloridas, trabalhadas com cortes e fusões e envolvidas em trilhas sonoras especialmente escolhidas mobiliza o sistema límbico, estrutura do cérebro responsável pelas emoções, o que leva a um estado de atenção concentrada. Alguns programas ainda desafiam a imaginação ao propor questões e não dar as respostas imediatamente. "A novela e as minisséries fazem isso muito bem, terminando os capítulos com suspense", exemplifica Elvira.
Olhar crítico vem com debates
Com tantos recursos usados para emocionar e prender a atenção, será que a TV não pode se tornar mesmo um instrumento de manipulação de mentes? Sim, pode. Por isso, levar a televisão para a sala de aula implica também ensinar os alunos a vê-la com olhar crítico. Para Gilka Girardello, coordenadora do Ateliê Aurora, o fundamental é fazê-los entender que a televisão não é uma "janela para o mundo" como gostam de caracterizar os mais entusiasmados: "Ela é um recorte muito bem produzido e montado da realidade e não a realidade".
Estimular os alunos a opinar sobre os programas e chamar a atenção deles para os cortes das cenas e o uso da trilha sonora ajuda a criança a perceber as diversas possibilidades do meio. José Manuel Moran afirma que, quando os alunos produzem programas, captando imagens e selecionando cenas, fica mais fácil perceber as intenções de quem faz televisão. Mas, para tanto, a escola precisaria ter equipamentos. Se isso não for viável, um caminho é comparar os programas com outros produtos culturais: uma novela com o livro que a originou; o telejornal com o jornal impresso; o desenho animado com gibis.
Ao adotar a televisão como recurso pedagógico, convém avisar os pais eles podem ter preconceitos e achar que a escola está enrolando ao colocar a turma na frente do aparelho "em vez de" dar aula. Durante a conversa, Gilka Girardello aconselha o professor a enfatizar que os programas selecionados têm ligação com o conteúdo estudado. Algumas dinâmicas podem ser usadas, como a discussão sobre os valores morais e éticos que uma telenovela está veiculando e a análise de telejornais.
Retirado de: www.novaescola.com.br
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